José Pimenta Sousa Sampaio

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Legenda::

Nome:: José Pimenta Sousa Sampaio

Outros Nomes::

Nome do Pai::

Nome da Mãe::

Data de Nascimento: 1930

Cidade de Nascimento:: Figueira da Foz

Estado de Nascimento::

País de Nascimento:: Portugal

Data do Óbito:: 99.99.99
A data “99.99.99” não foi compreendida.

Cidade do Óbito::

Estado do Óbito::

País do Óbito::

Última Formação Acadêmica / Especialização::

Última Instituição Acadêmica da Formação:: Faculdade de Medicina da Bahia, Universidade Federal da Bahia

Data de Conclusão:: 99.99.99
A data “99.99.99” não foi compreendida.

Biografia:: Licenciado pela Faculdade de Medicina de Lisboa, da então chamada Universidade Clássica de Lisboa. Foi Médico, escritor, escultor tornou-se chefe de Serviço de Urologia, nos Hospitais Civis de Lisboa (HCL), interessou-se pela Andrologia, tendo introduzido no país o uso da prótese peniana de silicone e criado uma técnica original de plástica fálica. Interessou-se pela neuro-urologia, tendo criado em 1970, nos HCL, a consulta de urossexopatia neurogénica que tornou extensiva ao Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão, onde foi Consultor durante 20 anos. Interessou-se também pelas infecções urinárias de repetição da mulher que relacionou com a actividade sexual. Logo, estendeu à mulher o seu interesse e conhecimentos da sexualidade feminina. Fez inúmeras palestras e tem alguns artigos publicados em revistas nacionais e estrangeiras. Escreveu um capítulo “ Sexualidade e Deficiência – A sexualidade do Deficiente Motor por Lesão Vertebro-Medular ”, na obra em dois tomos “ A Sexologia em Portugal “, editada em 1987, pela Texto Editora, e um outro capítulo “ Doença de Peyronie “ para a obra “ Andrologia Clínica “, um livro com mais de 700 páginas, editado pela Sociedade Portuguesa de Andrologia em 2000. Organizou um Simposium e mais tarde, em 1993, um Congresso sobre urossexopatia neurogénica. Participou no 1º Congresso de Sexologia Clínica e foi fundador, em 1984, da Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica. Como escultor começou a modelar o barro aos 15 anos. Freqüentou o ateliê do Mestre escultor Leopoldo de Almeida. Até hoje executou mais de 100 peças. A primeira exibição pública foi numa exposição coletiva na SNBA, nos anos 60. Em 1970 expôs várias peças durante o Congresso Luso-Espanhol de Fisiatria, na Figueira da Foz, onde obteve o 1º Prêmio. Tem duas esculturas em bronze na Biblioteca da Ordem dos Médicos. Tem peças escultóricas eróticas, tendo exibido duas em 1998, no âmbito do evento mais vasto “O Erotismo na Arte”, durante a exposição “ O Erotismo nas Artes Plásticas – Artistas Médicos”. Possui desenhos, alguns eróticos, que foi executando desde o tempo do serviço militar obrigatório, a maior parte com a função de esquiços para futuras esculturas. A sua obra é majoritariamente abstracionista. Interessa-se também pela Fotografia, procurando ângulos que não permitam uma leitura imediata; pretende que, para o observador, a imagem surja descontextualizada, integrando-se assim no conceito abstracionista. Teve um ateliê em Belém, junto ao rio, num dos edifícios sobrantes da “Exposição do Mundo Português”. É um freqüentador de exposições de arte e foi um visitante freqüente da ARCO em Madrid. O escultor Sampaio abriu-se à escrita colaborando no livro de que fui coordenador “O Erotismo na Arte”, publicado em 2003, que resultou de um ciclo de conferências integrado no evento “O Erotismo na Arte” que ocorreu 1998, por ocasião do Congresso Europeu de Sexologia que se realizou em Lisboa. Escreveu o capítulo “Escultura Erótica Contemporânea”, onde afirmava: “ A Arte não é a vida, mas sim o reflexo da vida...... É o reflexo da revolução sexual iniciada há algumas dezenas de anos, que está representada nos exemplos trazidos que procuram desmistificar a sexualidade humana, libertá-la dos tabus em que a religião a tem procurado sufocar hipocritamente. É a verdade da sexualidade encarada, antes de mais, com a potencialidade lúdica, em que o erotismo deve ser desenvolvido e educado para uma formação gratificante, indispensável ao bem-estar pessoal e social”.Adivinha-se a influência do pensamento de Wilhelm Reich, Herbert Marcuse, Reimud Reich e os ventos de Maio de 68. É grande a intranqüilidade e incômodo do médico face à doença, à morte, à injustiça social. Talvez numa tentativa escapaste quiçá desesperada, procure enrodilhar-se no Belo para mitigar as suas angústias. Grandes nomes da Literatura foram médicos. Como escritor Pimenta, fez homenagem ao avô materno em cuja biblioteca iniciou as suas primeiras leituras sérias, tendo sido impressivo o livro “A Besta Humana” de Zola. O livro de José Pimenta tem como tema central a estória de um caçador, no sentido etimológico e metafórico da palavra, que se vai cruzando com as de outros personagens que se vão transmutando, ao longo da narrativa, e seguem estórias mais ou menos paralelas, mas que se vão entrecruzando, tendo sempre como ponto comum o caçador. É um urdir de estórias cuja tecedura se vai apertando cada vez mais. O livro lê-se com interesse e curiosidade sobre o que se vai passar a seguir, à maneira de um romance policial que só o é nas últimas páginas, tornando-se a sua leitura quase obsessiva. É um romance passível de múltiplas leituras. Aparentemente é um tema erótico, à boa maneira dos livros de autores anônimos do século XIX, maioritariamente ingleses, em que se fazia a crítica do sistema social vigente, em plena época vitoriana. Aqui também há uma critica social, com uma excelente caracterização pessoal e social dos vários intervenientes do romance, com a ascensão social do personagem principal e de alguns com ele relacionados, obtida por via sexual. São estórias de amores quase impossíveis que o autor vai tornando possíveis pela sua lógica de pensador dialética. Diz António Morais, no prólogo, em perfeita sintonia com José Pimenta: ...”a monogamia é uma prática que freqüentemente violenta a afetividade e os comportamentos amorosos, recorrendo ao preconceito do direito de posse instituído pelas sociedades que ainda não se adaptaram aos tempos atuais...”. É o amor e a sexualidade contados de uma maneira transversal, contemplando os vários estádios da vida; infância, adolescência, adultícia e senescência, salpicados aqui e ali por um discreto humor subtil e pela cultura do escritor que vai perpassando ao longo das páginas do romance.O escritor José Pimenta foi escrevendo coisas sobre a sexualidade que o Dr. Sousa Sampaio lhe ia segredando ao ouvido, profundo conhecedor das orientações sexuais minoritárias, como homossexualidade, bissexualidade, identidade de gênero (transexualidade) e para filias, muitas. Há referências à guerra colonial e memórias dolorosas com repercussões sobre a personalidade e comportamentos do caçador. Porque há dificuldade em explicar o amor e a sexualidade chama a atenção para o que o autor do prólogo escreve, com o qual concordo plenamente: “... hoje se sabe mais acerca dos centros cerebrais ligados às emoções e aos comportamentos com elas relacionados: a sexualidade faz parte desse complexo neuroendócrino e cultural, que nos humanos atingiu um refinamento variável de pessoa para pessoa.”O livro contem muitas reflexões sobre a sexualidade, o amor, as emoções, os sentimentos de culpa e outros, com uma visão muito pacificadora, muito paradisíaca das relações humanas, definindo José Pimenta o bem-estar como: “... a plena realização emocional e melhor equilíbrio psico-somático e a redução da violência. A compreensão e a aceitação dos direitos dos outros...”.Há dois sub-temas muito importantes no livro: um é a educação sexual para os jovens; o outro é o respeito pela criança que irá nascer, que deverá ser gerada por pais saudáveis, intelectual e afetivamente responsáveis. Dai a importância da Educação Sexual na prevenção de possíveis gravidezes. Em resumo, é um livro que poderá chocar algumas pessoas, mas é um livro honesto, que tem como pano de fundo as reflexões do escritor José Pimenta e as do médico Sousa Sampaio, sobre comportamentos sexuais e afetos, pretendendo induzir os leitores a pensarem e a aprofundarem um tema tão complexo e controverso como é a sexualidade humana.

Produções Culturais:: - O Caçador- A Besta Humana- O Erotismo na Arte- Escultura Erótica Contemporânea

Instituições de Custódia (Mantenedoras do Acervo):: Documentos referentes à vida acadêmica no período do curso de Medicina.

Observações:: http://www.fameb.ufba.br/dmdocuments/formadosfmb1812a2007.pdfAcesso em 03 de março de 2009

Fontes de Pesquisa:: Levantamento nominal dos formados de 1812 a 2008 da Faculdade de Medicina da Bahia - UFBA.

Sumário: José Pimenta Sousa Sampaio