Reynaldo dos Santos

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Reynaldo dos Santos

Conhecido(a) como Reynaldo dos Santos

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Dados biográficos
Nascimento03/12/1880
CidadeVila Franca de Xira
Estado
PaísPortugal
Sexo Masculino
Identificação étnico-racial Branco
Religião Catolicismo
Nacionalidade Portuguesa
Idiomas Português, Francês, Inglês, Espanhol, Italiano, Alemão
Condição histórica Médico militar, Médico expedicionário, Veterano da Primeira Guerra Mundial, Cirúrgião de guerra
Falecimento06/05/1970
CidadeLisboa
Estado
PaísPortugal
Origem familiar
PaiClemente José dos Santos
MãeMaria Amélia Pinheiro dos Santos
Formação acadêmica
Especialidade principal Cirurgia Geral
Titulação 1 Tipo: Licenciatura
Instituição: Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa
Ano: 1903
Área:
• Medicina
Titulação 2 Tipo: Doutorado
Instituição: Faculdade de Medicina, Universidade de Lisboa
Ano: 1906
Tese: Aspectos Cirúrgicos das Pancreatites Crónicas
Palavras-chave: Cirurgia abdominal, Patologia cirúrgica, Pancreatite crônica, Gastroenterologia, Cirurgia digestiva, Doença pancreática
Área:
• Cirurgia Geral
• Gastroenterologia

Neto paterno de Clemente José dos Santos, Barão de São Clemente, título que recebeu pelo seu desempenho e dedicação à causa pública, enquanto taquígrafo e bibliotecário-mor das Cortes de São Bento, pessoa esclarecida, sócio da Academia Real das Ciências. Médico, pedagogo, cientista, escritor, historiador e crítico de arte, um ser em movimento, universal. Seu pai era um conceituado médico em Vila Franca de Xira. Reynaldo é o filho mais novo de uma fratria de cinco filhos do casal. No dia 14 foi batizado na Igreja Parochial de S.Vicente Martyr daquela vila e recebe o nome de Reynaldo.

Reynaldo fez os seus estudos primários e secundários em Vila Franca de Xira, sendo considerado um bom aluno, tendo em conta as inúmeras notícias sociais publicadas no jornal «O Villafranquense». Terminados os estudos primário e secundário, parte para Lisboa com a finalidade de estudar Medicina. Em 1903, conclui em julho o Curso de Medicina e parte para estágio em Paris, nas Clínicas dos professores Guyon, Albarran, Cathelin, Tuffier e Pinard. Em 1904 faz uma visita de estudo às Clínicas de Boston, Chicago, Rochester, Baltimore, Filadélfia e Nova Iorque. Nesse tempo torna-se sócio da Associação dos Médicos Portugueses.

Em 1906 defende a tese de Doutoramento sobre «Aspectos cirúrgicos das pancreatites crónicas». Casa com Suzana Cid no dia 18 de Agosto deste mesmo ano. Em 1907, foi aprovado em mérito absoluto no concurso para professor extraordinário da Faculdade de Medicina de Lisboa. Em 1908, foi Membro da Société Internationale de Chirurgie. Em 1909, fez estágio nas Clínicas de Berlim e Kummel. Em 1910, fez Curso Livre de Urologia no Hospital do Desterro, onde apresenta o seu novo aparelho e método de uroritmografia. Em 1911, fez estágio nas Clínicas de Veneza e Viena de Áustria. Foi Membro da Associação Francesa de Urologia. Encarregado da regência de Propedêutica Cirúrgica. Entre 1912-1914 fez estágios em Paris e Londres. Membro da Associação Alemã de Urologia. Estágios em Berlim, Hamburgo, Bremen, Bona e Bruxelas. Cirurgião dos Hospitais Civis de Lisboa.

Em 1916, foi Vice-Presidente da Sociedade de Ciências Médicas de Lisboa. Missões do Governo junto dos exércitos francês, inglês e belga. Membro do Comité Inter-Aliado para o estudo da Cirurgia de Guerra. Em 1917 (Fevereiro) a 1918 (Dezembro), esteve em França, na 1.ª Grande Guerra, como cirurgião nos Hospitais Ingleses do Norte da França (26 General Hospital) e depois no Hospital Wimereux. Consultor de cirurgia do Corpo Expedicionário Português (C.E.P.), como Capitão (Português) e Major (Inglês). Em 1919, foi Delegado português à Conférence Chirurgicalle InterAlliée, durante a Grande Guerra. Membro Consultivo na Fundação Prémio Erasmo (Amsterdão). Medalha de Ouro de Bons Serviços na Grande Guerra. Distinguished Servicer Order (D.S.O.), em 1922 foi Cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra. Em 1924, foi académico correspondente da Real Academia de Belas-Artes de S. Fernando (Madrid). 1925, foi Director do Serviço de Cirurgia Geral do Hospital de Arroios. Em 1928, início dos trabalhos originais de arteriografia e aortografia. Em 1930, foi Presidente da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa. Em 1931, foi Comendador de número da Ordem Civil de Alfonso XII de Espanha.

Em 1932 tornou-se professor catedrático da Cadeira de Urologia do Hospital de Santa Marta. Foi membro da Société Internationale d’Urologie, membro de honra da Sociedade Francesa de Angiologia e Histologia Patológica, membro correspondente da Société Nationale de Chirurgie de Paris e membro da Academia de Belas-Artes de Sevilha. Foi ainda um dos dez vogais efetivos e fundadores da Academia Nacional de Belas-Artes de Lisboa. Em 1935 foi académico de honra da Academia Nacional de Medicina de Madrid, delegado português no Comité da Sociedade Internacional de Cirurgia e membro da Academia de Cádis. Em 1936 foi académico de honra da Academia Hispano-Americana, membro correspondente da Sociedade Belga de Urologia, recebeu a Medalha de Ouro da Société Internationale d’Urologie e tornou-se sócio honorário do Grupo dos Amigos do Museu Nacional de Arte Antiga.

Em 1937 recebeu a Medalha de Ouro (Violet Hart Fund), prémio de cirurgia vascular de Rudolph Matas sob os auspícios da Tulane University of Louisiana. Foi presidente da Associação Portuguesa de Urologia, membro honorário da Académie Royale d’Archéologie de Belgique e membro titular e fundador da Academia Portuguesa de História. Em 1938 foi um dos quatro académicos honorários da Real Academia de Belas-Artes de San Fernando (Madrid) e procurador à Câmara Corporativa, por inerência de funções. Em 1939 tornou-se sócio honorário da Sociedade Nacional de Belas-Artes. Em 1940 esteve envolvido na orientação e prefácio do Inventário Artístico de Portugal e foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Santiago da Espada.

Em 1941 foi professor catedrático de Patologia e Terapêutica Cirúrgica da Faculdade de Medicina de Lisboa. Nesse ano tornou-se também membro honorário do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Urologia e recebeu a Grande Oficial da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul. Em 1942 foi nomeado diretor da Faculdade de Medicina de Lisboa. Em 1945 foi presidente da 6.ª Secção da Junta Nacional de Educação. Em 1946 foi oficial da Ordem da Legião de Honra. Em 1947 tornou-se membro correspondente da Associação Espanhola dos Escritores Médicos. Em 1948 foi professor catedrático de Clínica Cirúrgica e membro correspondente da Académie Nationale de Médecine de Paris. Em 1949 foi membro honorário da Sociedade de Urologia de Barcelona e presidente do Congresso Internacional de História de Arte, realizado em Lisboa.

Em 1950 foi membro de honra do American College of Surgeons e foi jubilado como professor catedrático. Em 1951 tornou-se membro de honra da Royal Society of Medicine (Londres) e da Universidade de Argel. Em 1952 foi um dos nove membros honorários estrangeiros da Académie de Chirurgie de Paris, membro correspondente da Academia dos Lincei (Roma) e do Instituto de França (Académie des Inscriptions et Belles-Lettres). Em 1953 foi académico emérito do Instituto de Coimbra e presidente do XV Congrès International de Chirurgie, em Lisboa. Em 1954 tornou-se sócio honorário do Instituto Vasco da Gama, de Goa. Em 1955 recebeu o grau de Commandeur da Ordem da Legião de Honra.

Em 1956 casou em segundas núpcias com Irene Virote de Carvalho Quinhó, em 28 de novembro. Nesse ano presidiu ao Congresso de Zurique e à Société Européenne de Chirurgie Vasculaire, à Sociedade de Cirurgiões Cardiovasculares e foi agraciado com o título de Cavaleiro do Império Britânico (K.B.E.). Foi ainda presidente da Classe de Ciências da Academia das Ciências de Lisboa. Em 1957 foi académico emérito da Academia Mondiale degli Artisti e Professionisti, de Roma.

Em 1959 foi fundado, sob a sua invocação, o Centro de Investigação Angiológico “Reynaldo dos Santos” no Hospital de Santa Maria. Nesse ano foi também doutor honoris causa pela Universidade da Bahia, professor honorário de História de Arte da Escola de Belas-Artes da Universidade da Bahia e vogal correspondente da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro. Em 1961 atuou como presidente da Academia das Ciências de Lisboa.

Em 1964 foi doutor honoris causa pelas Universidades de Paris, Estrasburgo e Toulouse, e recebeu a Medalha de prata do Instituto de Urologia do Hospital de la Santa Cruz y San Pablo. Em 1967 foi presidente da Academia Nacional de Belas-Artes de Lisboa. Em 1969 recebeu a Gran Cruz do Mérito Civil de Espanha e o Grande Prémio da Cultura Nacional.

O interesse pelas Belas-Artes nasce durante as férias, na Figueira da Foz, quando, conjuntamente com Henrique de Vilhena, começa a participar nas campanhas arqueológicas conduzidas pelo advogado António Santos Rocha que lhe aconselha a ler Taine, autor que vai desempenhar grande influência no campo dos estudos da arte. Aprende agora a profissão do pai, mas não deixa de cultivar os seus interesses diletantes através de visitas à Feira da Ladra, onde faz a sua primeira compra artística, uma pintura de origem francesa que irá manter em destaque, no seu gabinete de trabalho.

Entre 1903 e 1904 Reynaldo trabalha com Tuffier, Albarran, Guyon, Cathelin e Pinnard. A convivência com estas figuras exerce uma profunda influência no jovem, reforçando-lhe na personalidade uma sólida desenvoltura ao nível das relações humanas, aspecto que consideraria como vital na sua actividade clínica e, depois, na de historiador. Em 1906, conclui a sua tese de doutoramento sobre Aspectos Cirúrgicos das Pancreatites Crónicas faz concurso para Professor, fica aprovado em mérito absoluto e inicia docência na Faculdade de Medicina.

Reynaldo dos Santos, cada vez mais crítico com o sistema de ensino, com a organização hospitalar e com a Faculdade, incompatibiliza-se com um dos professores mais antigos e recebe um ofício assinado por José Gentil, do seguinte teor: «Ex.º Sr. Reynaldo dos Santos. Para seu conhecimento e devidos effeitos, notifico a V.Ex.a que, tendo o Professor Francisco Augusto d'Oliveira Feijão apresentado, em Conselho da Faculdade, a carta que V. Ex.a lhe endereçou, o Conselho tomou a deliberação de desligar V. Ex.a do serviço, sem vencimento, instaurando-lhe immediatamente processo disciplinar. Saude e Fraternidade. Faculdade de Medicina de Lisboa, 5 de Julho de 1916». Quando este ofício é enviado a Reynaldo, este não se encontrava em Portugal, por ter sido nomeado para estudar a articulação do apoio médico entre as frentes de combate e a retaguarda. De regresso a Portugal reencontra as querelas na Faculdade, da qual se encontrava agora suspenso.

Num rascunho de carta (para João Chagas?), escreve: «Meu Exmo. Amigo; Quando recebi a sua carta iam as separatas das minhas conferencias, a caminho de França. E devem estar transpondo a esta hora o arame farpado da censura ... Continuo suspenso, e o meu processo não segue apesar mas minhas repetidas reclamações. A Faculdade desculpa-se dizendo que está em férias! Na Escola Medica a Justiça está em férias ... Se quizesse descrever agora aquelas impressões, era capaz de o fazer em papel sellado ... Dê-me pois licença. Vou-me desinfectar. E antes de calçar as luvas, um aperto de mão do seu amigo». Mantendo-se o seu diferendo com a Faculdade, Reynaldo impulsiona a investigação experimental no pequeno Hospital de Arroios e resolve começar a dar aulas não oficiais naquele hospital. Os seus dotes de comunicador, experiência internacional e interesse pela investigação, atraem numerosos estudantes, formando-se aquela que ficou conhecida como «Universidade de Arroios».

Em 1930, ocupa a recém-criada Cátedra de Urologia. Em 1932 é eleito Presidente da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa e, dez anos volvidos, passa a dirigir a própria Faculdade de Medicina, com a qual tantos desentendimentos tivera. Num texto dedicado a Manuel Monteiro, Reynaldo dizia: «sempre entendi que perante o dilema da fidelidade ao que julgamos ser a verdade histórica (que pode ser efémera como toda a verdade cientifica) e por outro lado um dever de amizade, que é uma verdade eterna, é a convicção crítica que se sacrifica e não a sensibilidade do amigo». E escrevia a Raul Proença: «Enfim, isto é a terra dos patrioteiros que julgam que Portugal é aquilo que eles imaginam e afirmam quando afinal é outra coisa, uma coisa que eles ignoram».

«A crise educativa resolve-se mandando gerações novas completar os estudos nos outros payses … sem receio de os desnacionalisar. O que desnacionalisa, é encontrar a pátria inferior, indifferente, vasia e estúpida». Há na personalidade de Reynaldo dos Santos três aspectos a considerar: o científico, o artístico, o humano. E o homem? Desta vez não nos acontece, como tantas outras na vida: admiramos um sábio, ou um artista e, depois de conhecê-lo, quereríamos vol¬tar a ler os seus livros, ou contemplar as suas obras, mas nunca mais voltar a vê-lo.

Em Reynaldo, a qualidade do homem é tão fina como a da sua persona¬lidade de médico ou de escritor. O seu rosto agudo e sensual, de nobres sen¬sualidades, é um espelho do seu carácter. É um desses seres para quem no primeiro grau do parentesco está a amizade. (Gregório Marañon) Profissionalmente, Reynaldo dos Santos era um cientista ... A sua extraordinária lucidez permitiu-lhe aperceber-se de que, a não ser que se aceitem grandes riscos, as ciências exactas e o progresso técnico não são nem podem ser suficientes para o pleno exercício da vida interior, precisamente porque toda uma parte do ser humano, a mais espiritual, deve aspirar, pela própria missão da espécie, a essa procura da qualidade. E como a Arte é, por excelência, a procura pura da qualidade, foi nesse domínio que Reynaldo dos Santos encontrou o contra-peso que fez dele um homem completo. (René Huyghe).

Dedicou, desde novo, parte do seu tempo e do seu amor às mais variadas formas de arte, como a Pintura, Escultura, Arquitectura, Mobiliário, Azulejaria, Faiança, Ourivesaria, Vidragem, Iluminura e Tapeçaria, sobre todas escrevendo, depois de as investigar e estudar. Em 1915, em colaboração com José de Figueiredo (que Reynaldo considerava o seu maior mestre nos domínios da arte) descobriu em Pastrana (Espanha), tapeçarias com motivos da tomada de Arzila por D. Afonso V, atribuídas ao pintor quatrocentista Nuno Gonçalves. Esta descoberta levou à publicação de uma monografia, em 1925, em colaboração com Jorge Cid. Em 1922, estudou em Itália (Toscana), a obra do pintor Português Álvaro Pires d'Évora, de quem um dos mais importantes quadros foi adquirido em 2002, por um importante Banco português, regressando assim ao país de origem do seu pintor.

Estudou cuidadosamente o pintor Nuno Gonçalves e os seus famosos e discutidos painéis da Adoração de S. Vicente. No capítulo da Arquitectura escreveu e publicou vários trabalhos sobre as Sés de Lisboa, Évora e Coimbra, e sobre Arquitectura Regional onde as Igrejas e Ermidas foram objecto de estudo pormenorizado. Abordou as origens históricas do Mosteiro de Alcobaça e da Batalha. Outros monumentos do mesmo estilo, como as Igrejas de Santa Clara e de São Francisco, em Santarém e a de Santa Iria do Olival, em Tomar, foram também objecto da sua curiosidade e estudo.

O seu interesse pela Arquitectura Portuguesa, incidiu sobretudo sobre o Estilo Manuelino, identificando em 1922, Francisco Arruda como sendo o Autor da Torre de Belém, símbolo da Arte Manuelina. Em 1952, Reinaldo dos Santos, estudou a arte nas «Descobertas Marítimas» e publicou sobre essa matéria um extenso trabalho. Alargou os seus estudos sobre o Manuelino, a Tomar, Évora e Setúbal. Sobre a arte escultórica, publicou «A Escultura em Portugal», onde analisa e estuda vários objectos, como ornamentos de Igrejas e Mosteiros, rosáceas e capitéis, estátuas e presépios (como o de Machado de Castro), e a escultura tumular, com manifesto destaque nesta última, dos túmulos de D. Pedro e Dona Inês, em Alcobaça.

Insistindo na sua condição de «apolítico», Reynaldo conviveu de perto, para além de Bombarda e de Figueiredo, com republicanos como Luís Derouet, João Chagas, Raul Proença, Jaime Cortesão, João de Barros e mesmo Raul Lino e Afonso Lopes Vieira, entusiastas iniciais da Revolução. Como lembra Rui Ramos: «Costumava então dizer-se que, se a monarquia fora o império dos bacharéis em Direito, a República representava o advento do império dos médicos».

Embora considerando-se apolítico, o certo é que esteve sempre por dentro de vários grupos com grande actividade política. Fez parte do Grupo dos Amigos do MNAA, do Grupo da Biblioteca, da União Cívica, dos Homens Livres (Livres da Finança e dos Partidos), das Revistas Seara Nova, Atlântida, Lusitânia, escrevendo e sendo dirigente dessas revistas conjuntamente com António Sérgio, Carolina de Michaelis, António Lopes Vieira, Raul Proença, Câmara Reis e Francisco de Lacerda, sendo um dos maiores defensores deste na questão da Filarmonia.À frente dos destinos da Academia, Reynaldo teve por inerência assento na Câmara Corporativa, com uma participação subordinada essencialmente às questões da educação, envolvendo-se em algumas medidas reformistas.

Na última aula proferida na Faculdade de Medicina («A formação das elites»), Reynaldo apoiou-se no exemplo da «Geração de 70» para criticar a censura, a perseguição de intelectuais, a deficiência da educação nacional e a escassez de meios com que se debatia o Instituto de Alta Cultura. Reynaldo aproveita a visita da rainha Isabel II para considerar a Inglaterra como modelo a seguir, uma vez que soube criar da própria desagregação do respectivo Império uma dinâmica que manteve o Reino na vanguarda científica e cultural. No entanto, e ainda que se considerasse apolítico, como Presidente da Academia Nacional de Belas-Artes desempenha uma acção importante na organização de eventos que não deixavam de celebrar o regime, recebendo críticas certeiras.

Mestres e influências

Influências médicas:
• Félix Guyon
• Joaquín Albarrán
• Théodore Tuffier
• Fernand Cathelin
• Adolphe Pinard

Influências intelectuais:
• José de Figueiredo
• Hippolyte Taine
• António dos Santos Rocha

Atuação médica

Especialidades médicas:
• Cirurgia Geral
• Cirurgia Vascular
• Urologia

Cargos médicos:
• Cirurgião hospitalar
• Cirurgião militar
• Chefe de Serviço de Cirurgia
• Professor clínico

Hospitais e serviços médicos:
• Hospital de Santa Marta
• Hospital de Arroios
• Hospital do Desterro
• Corpo Expedicionário Português

Técnicas médicas:
• Arteriografia
• Aortografia
• Uroritmografia
• Angiografia

Contribuições científicas:
• Introdução da arteriografia clínica
• Desenvolvimento da aortografia
• Desenvolvimento da uroritmografia
• Pioneirismo da cirurgia vascular moderna
• Consolidação da angiologia portuguesa

Correntes científicas:
• Cirurgia moderna
• Medicina hospitalar
• Medicina experimental

Professor catedrático de Urologia e Cirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa; diretor de serviços hospitalares; cirurgião militar durante a Primeira Guerra Mundial; pioneiro da arteriografia e da cirurgia vascular.

Atuação acadêmica

Vínculos institucionais

Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa
Cargo / função: Professor Catedrático, Diretor
Cidade: Lisboa
Ano / período: 1911–1947

Hospital de Santa Marta
Cargo / função: Cirurgião, Diretor
Cidade: Lisboa
Ano / período: 1911–1950

Hospital Escolar de Arroios
Cargo / função: Diretor do Serviço de Cirurgia Geral, Cirurgião
Cidade: Lisboa
Ano / período: 1925–1940

Academia Portuguesa da História
Cargo / função: Membro fundador
Cidade: Lisboa
Ano / período: 1936–1970

Academia Nacional de Belas-Artes
Cargo / função: Presidente, Membro fundador
Cidade: Lisboa
Ano / período: 1932–1970

Outras instituições e vínculos:
Hospital do Desterro

Cargo / função: Docente do Curso Livre de Urologia Ano / período: 1910

Hospitais Civis de Lisboa Cargo / função: Cirurgião Ano / período: 1912–1950

Corpo Expedicionário Português (CEP) Cargo / função: Cirurgião Consultor; Capitão Médico Ano / período: 1917–1918

Hospitais Militares Britânicos (26th General Hospital e Wimereux) Cargo / função: Cirurgião Militar; Major Honorário Ano / período: 1917–1918

Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa Cargo / função: Vice-Presidente; Presidente Ano / período: 1916; 1930–1932

Associação Portuguesa de Urologia Cargo / função: Presidente Ano / período: 1937

Academia das Ciências de Lisboa Cargo / função: Presidente; Presidente da Classe de Ciências Ano / período: 1956–1961

Grupo dos Amigos do Museu Nacional de Arte Antiga Cargo/ função: Membro Ano / período: 1912–1970

Junta Nacional de Educação Cargo / função: Presidente da 6.ª Secção Ano / período: 1945

Museu Nacional de Arte Antiga Cargo / função: Colaborador científico; Organizador de exposições Ano / período: 1920–1970

Grupos / escolas científicas:
• Universidade de Arroios
• Escola Portuguesa de Cirurgia

Professor catedrático da Faculdade de Medicina de Lisboa; Diretor da Faculdade de Medicina de Lisboa; Presidente da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa; Participação em congressos internacionais de cirurgia e medicina; Formação e influência académica através da chamada “Universidade de Arroios”

Missões científicas e contextos históricos

Missões científicas e internacionais:

Missão do Governo Português junto aos exércitos francês, inglês e belga durante a Primeira Guerra Mundial.

Participação no Comité Inter-Aliado para o estudo da Cirurgia de Guerra.

Delegado português na Conférence Chirurgicale Interalliée.

Contextos históricos:
• Primeira Guerra Mundial
• Estado Novo Português
• Reforma do ensino médico português
• Internacionalização da cirurgia portuguesa
• Monarquia Constitucional Portuguesa
• Primeira República Portuguesa
• Ditadura Militar Portuguesa
• Cirurgia asséptica
• Medicina experimental
• Desenvolvimento da radiologia médica
• Desenvolvimento da angiografia
• Consolidação da cirurgia vascular
• Desenvolvimento da urologia moderna
• Criação da Universidade de Lisboa
• Institucionalização da investigação médica
• Modernização dos hospitais portugueses
• Nacionalismo cultural português
• Institucionalização da História da Arte em Portugal

Atuação internacional

Atuação internacional 1

País: França

Instituição: Clínicas cirúrgicas de Paris

Função / atividade: Estágio de aperfeiçoamento em cirurgia e urologia

Período: 1903-1904

Atuação internacional 2

País: EUA

Instituição: Mayo Clinic, Clínicas de Boston e Chicago, Johns Hopkins Hospital

Função / atividade: Estágio de aperfeiçoamento em cirurgia hospitalar e experimental

Período: 1904-1905

Atuação internacional 3

País: Alemanha

Instituição: Clínicas universitárias de Berlim, Hamburgo, Bona

Função / atividade: Estágio de aperfeiçoamento em cirurgia e urologia

Período: 1911

Outras atuações internacionais:
Itália Clínica de Giordano (Veneza) Estágio de aperfeiçoamento cirúrgico (1911).

Reino Unido Hospitais militares britânicos no Norte de França Cirurgião militar durante a Primeira Guerra Mundial; posteriormente consultor cirúrgico do Corpo Expedicionário Português.

França 26th General Hospital; Hospital de Wimereux; Comité Inter-Aliado para o Estudo da Cirurgia de Guerra Cirurgião em hospitais militares aliados, membro do Comité Inter-Aliado e delegado português em conferências internacionais de cirurgia de guerra (1916–1919).

Pesquisa

Desenvolveu pesquisas em urologia, cirurgia vascular, angiologia e diagnóstico vascular por imagem. Seus estudos concentraram-se especialmente na arteriografia, na aortografia e na aplicação clínica de métodos radiológicos ao diagnóstico e ao tratamento cirúrgico das doenças vasculares.

Atuação cultural e extra-medicina

Destacou-se como historiador e crítico de arte, com pesquisas sobre história da arte portuguesa, arquitetura, pintura, escultura e património histórico e artístico. Como principal teórico do Estilo Manuelino, associou esta corrente estética à identidade naval e histórica das Descobertas. Foi o fundador e presidente da Academia Nacional de Belas-Artes, onde impulsionou o Inventário Artístico de Portugal. Organizou exposições nacionais e internacionais e publicou estudos de referência sobre a arte e o património cultural de Portugal, tendo sido responsável por teses marcantes sobre a autoria da Torre de Belém e sobre a pintura de Nuno Gonçalves.

Áreas de interesse

• História da Arte
• Patrimônio Cultural
• Museologia
• Arquitetura
• Escultura
• Pintura
• Azulejaria

Objetos de estudo

• Torre de Belém
• Mosteiro dos Jerónimos
• Mosteiro de Alcobaça
• Mosteiro da Batalha
• Sé de Lisboa
• Sé de Évora
• Sé Velha de Coimbra
• Igreja de Santa Clara
• Igreja de São Francisco
• Igreja de Santa Iria do Olival
• Escultura portuguesa medieval
• Escultura portuguesa renascentista
• Painéis da Adoração de São Vicente
• Azulejaria portuguesa
• Ourivesaria portuguesa
• Iluminura
• Tapeçaria
• Barroco português
• Romantismo português
• Arte manuelina
• Nuno Gonçalves

Movimentos intelectuais

• União Intelectual Portuguesa
• Movimento "Homens Livres"
• Seara Nova

Rede intelectual

• José de Figueiredo
• António dos Santos Rocha
• Gregorio Marañón
• Raul Proença
• Carolina Michaëlis de Vasconcelos
• Afonso Lopes Vieira
• João de Barros
• João Chagas
• Jaime Cortesão
• António Sérgio
• Henrique de Vilhena

Papéis biográficos

• Professor universitário
• Investigador
• Conferencista
• Gestor científico
• Intelectual público

Profissões complementares

• Historiador da Arte
• Crítico de Arte
• Escritor

Prêmios e homenagens

Prémios académicos e científicos

Doutor Honoris Causa pelas universidades de Paris, Estrasburgo, Toulouse, Bahia e Argel. Medalha de ouro (Violet Hart Fund) da Tulane University (Louisiana). Medalha de prata do Instituto de Urologia do Hospital de la Santa Cruz y San Pablo (Barcelona). Grande Prémio da Cultura Nacional. Ordens e condecorações Cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra (França). Comendador da Ordem Civil de Alfonso XII (Espanha). Grande Oficial da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul (Brasil). Cavaleiro do Império Britânico (K.B.E.). Grã-Cruz do Mérito Civil de Espanha. Cargos honoríficos e associações científicas Presidente de múltiplas sociedades científicas e congressos internacionais (urologia, cirurgia vascular, história da arte). Presidente da Sociedade Europeia de Cirurgia Vascular. Presidente da Sociedade de Cirurgiões Cardiovasculares. Membro honorário ou correspondente de diversas academias e sociedades médicas e artísticas internacionais, incluindo: Académie Nationale de Médecine (França) Royal Society of Medicine (Reino Unido) American College of Surgeons Académie de Chirurgie de France Academia dos Lincei (Itália) Instituto de França Real Academia de Belas-Artes de San Fernando (Espanha) Academia Brasileira de Letras Outras distinções Medalha de Ouro de Bons Serviços na Grande Guerra. Medalha comemorativa dos 100 anos de nascimento.

Exposições internacionais dedicadas à sua obra (Europa e Brasil).

Honrarias estruturadas

Grã-Cruz da Ordem Militar de Santiago da Espada
Instituição concedente: Presidência da República Portuguesa
País: Portugal
Ano: 1940

Medalha de Ouro da Société Internationale d'Urologie
Instituição concedente: Société Internationale d'Urologie
País: França
Ano: 1936

Atuação pública e política

Cargo público 1

Cargo / função:
• Procurador

Instituição / órgão:
• Câmara Corporativa

Período / mandato:
1935–1961

Local / circunscrição:
Portugal




Descrição da atuação pública e política:
Exerceu o cargo de Procurador à Câmara Corporativa entre os anos 1935 até 1961. Exerceu a função na qualidade de representante das "Academias e Institutos de Alta Cultura". Graças ao seu profundo conhecimento como historiador e crítico de arte, a sua intervenção na Câmara Corporativa focou-se sobretudo na emissão de pareceres sobre o património artístico nacional, no planeamento cultural e na orientação de inventários artísticos do país

Produção intelectual

Tipos documentais:
• Catálogo de exposição
• Livro
• Capítulo de livro
• Tese
• Periódico científico

244 Bibliografia artística (obras mais importantes). 22 Artigos publicados no Boletim da ANBA. 45 Conferências de arte, não publicadas. 54 Conferências de arte, publicadas. 29 Artigos publicados em Jornais. 78 Artigos publicados em Revistas e outras publicações. 45 Artigos publicados na «Lusitânea». 16 Artigos publicados no Guia de Portugal e no Guide Bleu. 26 Prefácios de livros. 18 Organização de Exposições:

Livros: A Torre de Belém, 1922. L'art portugais, ed. Plon, Paris 1938. Os primitivos portugueses, 1940, reeditadas em 1957 e 1958. A escultura em Portugal, dois volumes, 1948-50. O Manuelino, 1952. L' arte portugais – Architecture, sculpture et peinture, Ed. Plon, Paris 1952. O romântico em Portugal, 1955. Nuno Gonçalves, edição em português e inglês da Phaidon Press, Londres, 1955. O Azulejo em Portugal, 1957. Ourivesaria portuguesa nas colecções particulares (de colaboração com Irene Quilhó dos Santos), dois volumes, 1959-60. História del arte portugués, Ed. Labor, Barcelona, 1960. A Faiança portuguesa dos séculos XVI e XVII, 1962.

Capítulo de livro: A pintura da segunda metade do século XVI e século XVII, na Arte Portuguesa, de João Barreira, 1951. O Barroco (séculos XVII e XVIII), vol. III da História de Arte em Portugal, 1953.

Exposições: Álvaro Pires de Évora, 1922. As Tapeçarias de Arzila e Tânger, 1925-26. Sequeira e Goya, Madrid 1929. Les manuscrits enluminés en Portugal, Paris 1932. Exposição de arte portuguesa em Londres, 1957.

Legado e memória

Formador de gerações de cirurgiões por meio da chamada Universidade de Arroios. Referência internacional em urologia e cirurgia vascular. Um dos principais historiadores da arte portuguesa do século XX. Em 16 de dezembro de 2019 foi inaugurado o novo edifício da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa com seu nome.

Instituições associadas ao legado

• Centro Reynaldo dos Santos
• Hospital Reynaldo dos Santos
• Escola Secundária Reynaldo dos Santos
• Centro de Investigação Angiológico Reynaldo dos Santos
• Edifício Reynaldo dos Santos da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa

Topônimos

• Rua Professor Reynaldo dos Santos (Lisboa)
• Rua Professor Reynaldo dos Santos (Vila Franca de Xira)
• Avenida Professor Doutor Reynaldo dos Santos (Carnaxide)
• Avenida Professor Doutor Reynaldo dos Santos (Oeiras)

Acervo documental

• Casa-Museu Reynaldo dos Santos e Irene Quilhó dos Santos


Fontes de pesquisa



Outras fontes:
vidaslusofonas.pt